Mês Mariano: Cerimônia de Descida da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré acontecerá nesta segunda-feira (25)

Em celebração ao mês mariano, os Padres Barnabitas junto à Diretoria da Festa de Nazaré e a Arquidiocese de Belém realizarão, nesta segunda-feira (25), a cerimônia da Descida da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré, do Glória.  O momento acontecerá após a Santa Missa das 18h, no Santuário da Rainha da Amazônia, e contará com a presença de autoridades eclesiásticas, levando em consideração todas as orientações prescritas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), prezando pela segurança e saúde de todos os presentes.

Amparados pelos braços acolhedores de Maria, os devotos da Rainha da Amazônia aguardam ansiosos para participarem desta cerimônia. Desta vez, em função do contexto de vulnerabilidade no qual o povo do mundo inteiro presencia, os fiéis poderão participar da celebração por meio das transmissões realizadas pelas plataformas digitais oficiais da Basílica Santuário no Facebook e Youtube e, também, pela TV Nazaré.

A Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré desce, apenas, duas vezes ao ano, sendo nos meses de Maio e Outubro.

Histórico:

Na capital Paraense, Dom Frei João Evangelista, quinto bispo do Pará (1772 a 1782), que pertencia à Terceira Ordem Regular de São Francisco, transcreve em um manuscrito, atribuído ao Convento de Santo Antônio dos Capuchos, em Portugal, sua conversa com Plácido José de Souza, sobre como teria sido encontrada a imagem de Nossa Senhora de Nazaré em 1700. O Prelado visitou a ermida de Plácido logo após sua chegada a Belém.
De acordo com o documento histórico, o achado acontecera ao final do mês de outubro, há poucos passos ao sul da estrada do Maranhão, sobre pedras lodosas, à margem de um córrego onde o gado se saciava. O bispo relata que à época os pais de Plácido ainda eram vivos e que ao falecerem foram sepultados à margem do igarapé.
Plácido imaginou que a imagem poderia ser de algum peregrino em viagem para o Maranhão, já que os viajantes paravam ali para beber água. Também poderia ser de algum cristão que, surpreendido pelos indígenas, fugira ou morrera sem poder abrigar a estatueta.
A choupana de Plácido, próxima ao ponto de água, era bastante procurada como pousada na estrada do Maranhão e por isso muitas pessoas conheciam a imagem, que começou a receber ceras e outros donativos. Ele lamentava não ter recursos para preparar um oratório mais decente, mas, de acordo com o relato de Dom Frei João Evangelista: “O coração do humilde era o melhor abrigo para a Rainha dos Céus”.
O historiador Almeida Pinto confirma a existência do manuscrito, acrescentando que em 1773 foi iniciada a construção da segunda ermida por Plácido, com a primeira pedra abençoada pelo prelado.
Outras versões para os fatos também estão presentes na tradição repassada ao longo de várias gerações entre os devotos, algumas relatando a origem de Plácido e da imagem si, bem como a forma como foi encontrada e seus retornos misteriosos e que Plácido, no momento do achado, poderia estar recolhendo lenha, caçando ou levando o gado para beber água. As narrativas o apontam como agricultor, caçador, fidalgo e outras como caboclo. Filho de Manoel Aires de Souza, era sobrinho de Aires de Souza Chichorro, que foi um dos capitães lusos do Grão-Pará. Ana Maria de Jesus, esposa de Plácido, era natural do Pará, filha de Fernão Pinto da Gaia, irmão além-tejano Antônio Pinto da Gaia, também capitão-mor, que teria doado as terras na estrada do Maranhão, conhecidas ainda como Utinga.

 

O “milagre do retorno”

Relatos apontam que Plácido encontrara a imagem em uma bifurcação de um taperebazeiro (árvore do taperebá) e outros de que seria em uma espécie de nicho natural em meio a trepadeiras. E que, após achar a imagem, que estaria com um manto, percebeu costurado na parte interna um papel onde se lia “Nossa Senhora de Nazaré do Desterro”. Ele a levara para sua casa e a colocara em um pequeno altar de miriti, onde estavam um crucifixo e outras imagens de santos de sua devoção. No dia seguinte, a imagem teria sumido. Ao retornar ao local do achado, percebeu que ela se encontrava no mesmo lugar do dia anterior. O fato repetiu-se durante alguns dias e a notícia do “desaparecimento” se espalhou, provocando a intervenção das autoridades civis e eclesiásticas, fazendo com que fosse levada para o Palácio do Governo, para o Paço Episcopal e à recém-erguida Catedral, de onde ela também sumiu, sendo encontrada no mesmo local.
Por conta dos desaparecimentos, Plácido teria entendido que a imagem deveria ficar no local onde fora encontrada e ali construiu uma ermida para abrigá-la. O local do achado é onde hoje se encontra a majestosa Basílica Santuário.
O chamado milagre da “fuga da imagem” é tido como um prodígio que indica que o lugar teria sido escolhido por Deus para que ali a fé de seus filhos fosse manifestada. Ainda hoje a graça do Pai se manifesta por meio da intercessão da Vigem Santíssima, que acolhe seus filhos para celebrar, louvar, bendizer e suplicar ao Senhor.
A imagem é em si a memória e representação da Mãe que, trazendo o Filho amado nos braços, acolhe toda a humanidade N’Ele simbolizada. A doutrina Católica ensina que não são as imagens que fazem milagres, mas sim Deus Trino, que por intercessão de Maria, que nos antecede no Reino Celeste, realiza o impossível.
Ao longo da história incontáveis são os relatos de graças alcançadas por intercessão de Nossa Senhora de Nazaré aos que acorrem ao templo dedicado à Rainha da Amazônia, comprovando que se trata de um lugar abençoado e consagrado a Deus, onde seu poder se manifesta de maneira inigualável.
Origem da Imagem
A verdadeira origem da imagem é desconhecida, supondo-se que seja de Portugal, visto que à época não haveriam “santeiros” habilitados para a elaboração desta espécie de escultura em Vigia de Nazaré, local onde a devoção foi primeiramente implantada pelos colonizadores. A estatueta possivelmente teria sido trazida pelos missionários Jesuítas, responsáveis pela difusão da devoção por este título mariano em outros locais no território amazônico. A maioria dos pesquisadores contesta a versão de que a imagem teria sido transportada por terra da localidade de Vigia pelo fato de que o caminho era perigoso por conta da presença de povos arredios ao longo do seu curso, fazendo com que só fosse possível a comunicação com Belém pelos rios.

Fotos: ASCOM Basílica Santuário de Nazaré

Texto: Yêda Sousa – ASCOM Basílica Santuário de Nazaré